Falar de Sexualidade para muitas pessoas é no mínimo constrangedor. Esse tema está associado muitas vezes à noção de pecado e proibido e é considerado por muitos(as) estudiosos(as) um tabu.
Estamos no século XXI onde a tecnologia avança num passo assustador, ir à lua e desvendar a estrutura do DNA já é coisa do século passado, comunicar com alguém do outro lado do mundo é uma questão de segundos. Mas ainda resistimos em avançar nas questões da sexualidade humana.
Poucos(as) conseguem lidar com essa temática sem medo ou culpa.
Estamos acostumados(as) a associar a sexualidade somente ao ato sexual ignorando sua ampla dimensão.
Seja no olhar, na fala, no toque, no cheiro, no gosto e nas diversas sensações corporais vivenciamos e expressamos nossa sexualidade a todo o momento.
Muitas vezes em novelas, filmes, programas de televisão e internet a sexualidade é abordada, mas é reduzida ao prazer sexual. A publicidade exalta a sensualidade da mulher para vender seus produtos e nas propagandas direcionadas ao público infantil é comum vermos crianças desejar o produto para ficarem mais atraentes para outra.
Qual é a resposta que damos a esse tipo de abordagem? Existe um espaço onde possamos problematizar essas questões?
Há uma grande contradição sobre o que vemos na mídia de uma forma geral e nosso sistema educacional.
É dever da escola formar cidadãos e cidadãs e não só matemáticos, químicos, físicos e demais profissionais; sendo que a sexualidade passa pela construção do sujeito e da cidadania, portanto a escola deveria ser um espaço de problematização dessas questões.
Mas a realidade que conhecemos não é essa. Pouquíssimas escolas realmente se importam em fazer esse papel, porém não podemos colocar a “culpa” nela somente, muitas vezes os(as) profissionais de educação não se sentem bem ou seguros para falar do assunto porque não estão capacitados(as) para tal e preferem fingir que “não é com eles” e tratar suas crianças, adolescentes e jovens como seres “assexuados”.
Muitos(as) profissionais de saúde que também não são devidamente capacitados(as) agem de forma anti-ética ao não disponibilizar preservativos ou não dar informações corretas sobre sexo e sexualidade para adolescentes e jovens que buscam o posto de saúde, negando-lhes direitos assegurados por lei.
Com essas atitudes de omissão a idéia de sexualidade como algo proibido e pecaminoso continua a prevalecer e com ela o aumento da vulnerabilidade sobre práticas sexuais não seguras.
Muitas pessoas acreditam em mitos, como por exemplo, o de que a masturbação causa danos ao corpo, quando na verdade trata-se de uma prática segura, saudável e importante para o autoconhecimento.
Para corresponder às expectativas do parceiro(a) ou de seu grupo social, muitos(as) se submetem a práticas indesejáveis e até mesmo a várias violências.
Atenção!!!
Os Direitos Sexuais e Reprodutivos são um acordo internacional que deve ser cumprido!
Cabe a nós procurarmos conhecer nossos direitos e exercê-los!
Seja no posto de saúde exigindo atendimento de qualidade, seja numa conversa em sala de aula ou numa roda de amigos(as) e até mesmo nos organizando em grupo e exigindo do poder público e dos órgãos competentes a capacitação de qualidade e formação continuada de nossos profissionais.
As maneiras de reivindicar são múltiplas e podem ser feitas de forma saudável para todos(as), o que não dá é para ficar parado(a).
Vamos exercer nosso Controle Social!
